quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

Remédio para insônia

Suor
Tuas coxas
Teu ar
Suspiro
Grito
Saliva
Gozo misturado no rosto
Respiro
Sorrio
Acordo
Insônia
Você em meus olhos
Sem lua
Sem estrela
Distância
A dureza da realidade

terça-feira, 25 de novembro de 2014

Sobre juízo

Abra o teu livro de preces e me julgue
Corte meu corpo-sonho com teu pudor e guarde o sangue que jorrará para mostrar aos meus/teus filhos toda a tua moral e a minha falta de
Seja bom, mas me negue um sorriso acolhedor
Seja belo, mas negue o amor
Seja honesto, mas apenas consigo
Saias, ternos, camisas, me ranque, me desnude
Veja minha pele, perceba a tua
És a mesma coisa que eu
Ma(i)s mente.

domingo, 16 de novembro de 2014

Por favor, me abrace antes que nos esqueçamos como se faz

Sim. Eu sei. Eu sei que não nos conhecemos bem.

Mas é que... Mas é que eu me sinto assim, sozinho e você... Você apareceu um dia desses e me abraçou. Ok, foi eu quem lhe abracei, mas foi tão seguro, sabe?
Será egoísmo?

Sim não precisa repetir que não nos conhecemos bem e que você acabou de sair de um relacionamento. Malditos sejam os relacionamentos de antiquário.
Eu queria lhe pedir pra largar tudo agora e vir me abraçar. Sei que nos vimos apenas uma vez, sei que isso faz algumas semanas, sei que eu estou fragilizado, mas caralho, como as pessoas fazem quando estão assim?

Não! Não quero falar com ninguém pela webcam e nem mandar mensagem de voz desabafando pelo celular, nem ao menos quero falar pelo celular. Não quero mais ter facebook, sim eu perdi propositalmente meu celular, tento me enganar dizendo que não, mas sim, eu o esqueci semi-conscientemente no banco do ônibus.

Eu queria saber como as outras pessoas fazem para se sentirem menos sozinhas. Quero saber como as mulheres fazem na TPM, como os idosos fazem quando são abandonados pelos filhos em asilos, quero entender as crianças de rua quando se tornam invisíveis, quero aprender com eles e fugir do virtual.

Por favor, não me julgue errado. Quero lhe pedir um abraço. Eu realmente preciso de um pouco de pele me tocando agora, sentir a respiração de outro ser, fazer um café junto contigo e sentir o sabor compartilhando isso. Quero sentir que ainda consigo me comunicar de verdade.

Eu sei que você está ocupado. Eu sei que não é má vontade. Não, não precisa me mandar uma foto, eu queria apenas um abraço. Eu queria apenas parar de escrever essas coisas e olhar em seus olhos ou em qualquer outros.

sábado, 15 de novembro de 2014

Fuga

Alguém segure as minhas lágrimas, pois nos últimos dias elas resolveram fugir.
Correm pelas avenidas afora, gritam vaidosas por liberdade e deixam em soluços a nascente.
Algumas, mais comunitárias, se encontram com lágrimas vindas de outras avenidas e partilham suas histórias;
Outras, mais solitárias, secam nas ruas deixando na curva dos lábios o sal dos olhares.
Alguém, por favor, segure minhas lágrimas ou feche a porteira de minha'lma que teima em deixar-me correnteza.

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Das minhas raízes

Ranquei todas as minhas raízes e sai pro mundo. Voei para entender que sou árvore.

Voei para entender que tenho mais família do que imaginei e que sou muito mais gente do que supus.

Seja em queda ou pelo ar, me potencializo. Me grito, viro voz e falo obrigado.

Obrigado por ser apenas e só.

Sou árvore. Cigana, mas árvore. Meu lugar é em meio a bahias, florestas e serras.

terça-feira, 28 de outubro de 2014

Proximidade da partida (quando o aqui vai se tornando longe)

Meu rosto, já sertão, não vê chuva há muito tempo,
Minh'alma Pedro, pescadora, São, já não abre as torneiras.

Secaram as nuvens.

Nas rachaduras da terra, mapas.
Fiz caminhos de santo e de pajés e terminei em horizontes.

Horizonte de morros talvez não tão belos, mas de raízes.

Novamente esquina, novamente Madalena coração aberto.
Mais cervejas, outros livros que não preciso, Maleta.

Moro na Serra e vivo em belos horizontes
Descobri que sou daqui quando estou estou a sair.

Adeus, au revoir, sorriso safado de quem compreendeu.

domingo, 20 de julho de 2014

Repetindo algumas sensações

Gostaria de arrancar essa saudade com as mãos.
Trataria do buraco sangrento em meu peito com sal.
Sangue e sal cicatrizariam esse buraco que me engole.
Se meu coração é só saudade, de que me vale?
Saudade se sente por algo que não se tem, se meu coração é saudade,
O que tenho além de dor?
Venho tentando esquecer. Às vezes penso que consegui
Mas então, a outra boca tem o gosto da sua,
O sal dos corpos me lembram o seu.
Percebo no fim, que o sal não cicatriza a ferida
Já tentei com lágrimas e suor
Mas o buraco por onde saiu meu coração, continua
A saudade que deveria ter saído com ele, continua
A lembrança exagerada continua
Tudo continua, menos a gente
Essa é a verdade, nua, dolorosa

quinta-feira, 10 de julho de 2014

Conversas com um amigo - 10/07

- Você sabe algum vemédio para saudade?
Digo vemédio, pois fico em dúvida se para saudade devemos aplicar veneno ou remédio...
Você sabe algum? Conhece? Me diz por favor, pois viver disso é morrer.

- Vemédio, eu não sei...
Remédio só presença;
Veneno só esquecimento.

- E quando se equilibra no muro existente entre os dois, mas não se pode cair na presença e nem pular no esquecimento?!
O que você faz?!

- A gente persiste no muro por um tempo.
Chega uma hora que tem que escolher um lado.
É inevitável!

- Vou continuar evitando...
Se eu precisar chorar me acompanha em um vinho?!

- Claro!


Alguns amigos deveriam se chamar anjos ou irmãos. Como não se chamam, chamamos-lhes de sorrisos...

Resumo do ciclo terminal

O tempo, o silêncio, a não presença tornam-se névoa e atrás dessa jaz turva a sua imagem.

A saudade se torna vapor, vai-se voando tranquila, não se deixa agarrar.

O corpo, ainda encharcado, tenta de algum modo recuperar-se dos dilúvios sofridos, para enfim, novamente germinar amor.

segunda-feira, 7 de julho de 2014

Novena de morte ou A mulher que colecionava calendários

E ela contava os dias como quem manuseia as contas de um rosário.

Um a um,  balbuciando sempre palavras inaudíveis, ensaiando alguns sorrisos e lágrimas, ela os contava.

Guardava-os em caixas empoeiradas espalhadas pela casa.

Os dias mais amorosos e quentes, ela guardava com carinho. Enchia-os de anotações feitas com canetas coloridas e normalmente iniciava seus escritos assim: Querido diário...

As caixas de amores, organizadas por semestres (ela não conseguiu permanecer em terra por muito tempo, pois era como se perdesse o tempo... Tola criança...) eram peculiares. As primeiras, volumosas, abarrotadas de papéis, agendas, diários, guardanapos, a última jazia vazia, fechada e em sua tampa, a palavra esperança quase apagada, na verdade, apenas um borrão.

Houve também dias sombrios, muitos aliás. Não se pode esperar outra coisa de alguém que viveu só. Esses dias, foram depositados com um carinho imenso debaixo do seu chuveiro, na esperança de que a chuva lavasse as trevas que existiam ali. Que a água, preenchesse o vazio cinzento daquelas das manhãs em que não levantava para sorrir.

Havia calendários por todas as paredes, menos na cozinha. Ela considerava a cozinha um espaço fora do real, onde não havia tempo. E ali, a beira do fogão ela passou a maior parte dos dias, escondendo-se do tempo, ou descansando do mesmo, mas ainda assim carregava o rosário em seu bolso. Ela entendia-se antagônica.

Uma caixa ou rascunho para cada dia... Ela controlou assim sua vida. Havia decorado todos os seus dias, seu pormenores, se conhecia como ninguém, se conhecia tanto, que entendeu quando chegou em sua última conta. Houve tempo apenas de dizer: agora e na hora de nossa morte...

Ela colecionou, contou todos os dias, na ansiedade de que chegasse o momento de dizer: E para todo o sempre, e por todos séculos e séculos, amém!

domingo, 6 de julho de 2014

Se até no título há saudade, se até no título há você, o que mais posso dizer?

Por que existe a saudade?
Você me disse, quando nos conhecemos, algo sobre instinto.
Algo sobre sermos instinto.
Mas a saudade se encaixa nisso como?


Eu lhe disse, quando nos conhecemos, algo sobre vazios.
Você seria apenas o preenchimento desse meu vazio.
Ao sair, deveria voltar tudo a ser como antes.
Mas esse abismo, vem de onde?

A saudade deve ser do tamanho da desimportância que represento para ti.
Saudade é beijo não mais trocado, sorriso que agora precisa de motivo.
Saudade é texto ruim. 
Esse texto é pura saudade. 

Saudade é querer escrever sobre o mundo e em cada palavra do universo estar grafado seu nome, mesmo que não se veja isso no verso (só eu sei).

quarta-feira, 2 de julho de 2014

Trecho de um conto inexistente: cozinha, café, amor e sorrisos

Tanto sofreu por uma memória que não mais sabia estar.

O presente se tornou confuso, era como se ele acontecesse ao mesmo tempo que o passado e os sonhos.

Tanto sofreu por uma memória, que se perdeu. Perdeu o sorriso em algum quarto dos fundos, talvez ao lado da cozinha, onde deixou seus pés.

A cozinha era, talvez (sempre talvez, a confusão estava tão estabelecida que era impossível ter certezas), o lugar mais difícil para ele. Ela possuía um cheiro agradável de café recém passado e incenso de alecrim, que eles acendiam enquanto preparavam o desanuyo.

Os seus pés, ficaram ali plantados, em contato com o chão de suas lembranças. Cozinha, amor, café e sorrisos. Me expliquem, aqueles que criticam os que vivem em passados, o que pode existir de mais acolhedor que esse conjunto de amores: cozinha, café e sorrisos (mesmo que forçados)?

O resto do corpo foi se perdendo pelos cantos. A mão ficou na janela, onde por tantas noites apontou a lua. Gostaria que um dia apontassem a lua para mim. Apontaram as estrelas, mas nunca a lua. Será que hoje elá está bonita?

Uma mão que aponta a lua nos dá pistas de como anda o coração. No caso dele, já não anda, andou tudo o que pode, rasgou-se quando não mais o deixaram caminhar. No rasgo cresceu uma planta escura, que lembra uma trepadeira e foi prendendo-o, amarrando-o ao tórax, que apodrecia na cama, junto à cabeça que ficou ali, colada no travesseiro, apenas sentido o cheiro que há muito havia passado.

O coração apertado fazia com que ele sentisse espasmos espaçados e lágrimas sem gosto (todo o sal do rosto já havia sido limpo pelas precedentes). Mas não havia muita saída, os seus pés estavam longe, em terra, as suas mãos estavam distantes, apontando o céu e nem mais o sorriso ele possuía para oferecer à alguém como pagamento por uma ajuda.

Tanto sofreu por uma memória, que aprendeu a estar em desvida e não se tornou memória de ninguém, apenas de si mesmo.

segunda-feira, 30 de junho de 2014

O entregador de leite

Virei o trinco e empreguei um pouco a mais de força. Pronto, o sol já alcançava a sala que a muito vivia em breu.

O cheiro insuportável do cigarro, que não gosto mas que se tornou minha única companhia nos últimos dois anos, começou a se dissipar.

Sinto falta do sertão. Tenho chovido muito nos últimos anos. Alaguei-me na verdade. Tenho saudades da sede, da grande amargura, da eterna necessidade.

Em algumas horas ele chega. Não sei como é o seu rosto. Lembro-me vagamente de sua voz. Era um pouco rouca, mas com um fundo rosado, não sei como descrever, mas lembro-me bem.

Ele traz o leite todas as manhãs. Hoje, bem, não sei por qual motivo, hoje resolvi ser sociável. Vesti minha roupa menos amarrotada, não posso dizer que estava limpa, mas a vesti.

Ele disse que chegaria às 10h em ponto, mas já são 10h07. Na verdade ele não disse isso. Eu apenas supus, pois esse é o horário que ele chega todas as manhãs.

10h08.

10h09.

Desisto. Ele não vem. Tiro a roupa, jogo-a sem esperanças sobre um dos montes de coisas para lavar. Tomo um gole de café velho e abro uma cerveja.

11h00. Lembro-me que nunca comprei leite.

Querido amigo

Carta escrita a um amigo que reapareceu em 18 de junho.

Querido amigo, tenho tanta coisa pra falar que na pressa a língua embola na boca e os dedos tropeçam no teclado. Fico assim, com aquela cara de bobo, que você já não lembra, não é mesmo?

Não importa! Ainda me lembro de algumas coisas, como daquele abraço, daquele táxi, do dia em que te conheci e inventei mais uma paixão, daquele sanduíche na pça da PUC, do seu abdômen, da nossa cumplicidade e dasrisadas, das segundas e quartas entre às 18h e 22h, de sua festa de despedida que não fui por covardia (não podia acreditar que estava partindo) e do nosso abraço de despedida que não existiu (e não aceito que um dia possa existir).

Na verdade não sei se lembro disso tudo e se essas coisas realmente aconteceram, sei que você existiu, sei que você se foi, sei que se passaram muitos, muitos anos e sei que nos falamos hoje novamente.

Intimidade inexistente na conversa, mas presente. Nós a exigimos, afinal éramos grandes amigos, ou não somos? Você se foi. Eu fiquei. Alguns países, alguns mapas e fuso-horários nos separaram. Mas hoje, hoje nos falamos.

Nossa conversa foi meio, "nossa! Você ainda lembra o meu nome?!"
- Sim! Fomos importantes, ou não somos? Nossa que alívio saber que você está vivo. Que alívio saber que você existiu mesmo, que não foi fantasia, na verdade você é minha fantasia, desde adolescente, mas isso não vem ao caso, pois você está careca de saber disso, aliás, seu cabelo cresceu!

Como está belo! Como está diferente! Nem parece aquele meu amigo que conheci há uns 10 anos atrás e que faz uns 7, 8 anos que não via (não vejo). Não que você não fosse belo, mas é que, me desculpe, você não parece com aquele meu amigo.

Tanto faz, te amo. É estranho, mas sinto que te traio dizendo isso, ou melhor o traio, não a você, mas ao meu amigo. Entende? Você não pode ser ele. Por favor, o devolva igualzim você era quando foi, igualzim você era quando ainda o amava. Eu te amo, é difícil assumir.

Mas sim, você não perguntou, mas sim! Eu estou bem. Estou bem melhor agora, alias, sabendo que você existe, mas sem ter certeza que existiu. Bom tenho que ir. Foi bom falar com você. Foi bom te ver! Na verdade, foi bom trocar algumas frases com você pelo chat do facebook. Enfim, não importa, eu te amo. Espero que esteja feliz. Espero que sua esposa esteja feliz. Espero que ainda existamos.

Retalhos costurados em balão

O som do elevador causava-me estranha esperança. 
Não sei por qual motivo, pois ele nunca havia me visitado nesse prédio, pois ele nunca havia me visitado. Mas esperança é assim, não tem motivo nem juizo.

Ele se multiplica em vários passados e se transforma em mim.
Todos os vazios somados, articulados, temperados com calmantes e curtidos em cachaça, viram um grande cheio.

Sigo então em Junho, balão de São João, gigante de vazios com calor no centro que me leva a voar esperando queimar, virar cinzas e adubar.



Saudades surgidas em 18 de Junho

domingo, 29 de junho de 2014

Esse texto deveria ser sobre você e seus olhos, mas de alguma forma enxergo no reflexo de teus olhos os olhos dele

Ele possuía 17 anos quando o conheci, mas gostava de ressaltar que em um mês faria 18 e que seu signo era leão. Tinha orgulho em ser leonino. Todos os leoninos são assim, ele não fugiria à essa regra.

Seus olhos de um verde claro quase transparentes. Me era difícil encará-los. Me sentia um velho depravado no auge dos meus 24, quase 25. Cheio de vícios e histórias não tão belas e agradáveis.

Os teus olhos me assustaram, me lembraram outros... Mas os outros de que me lembrei e que amei eram olhos fugidios, envergonhados e com algo obscuro em sua essência (ainda não descobri o que). Os seus, ao contrário, carregavam luz e uma dignidade incrível ao me encarar. (Vergonha! Será que era por isso que ele virava o olho quando eu o encarava?).

Todos os seus movimentos demonstravam uma inocência que colocava em foco toda minha falta de pudor, minha depravação, minhas expectativas de lobo defronte um cordeiro. Não te quis desde que bati o olho em sua inocência. Senti medo de te ferir igual fui ferido. Talvez eu deva viver com meus iguais, os depravados, os que não têm medo de se marcar na dor, os boêmios assumidos e jogados.

Você me disse não acreditar na dor, mas as marcas de expressão de seu rosto não escondiam o sofrimento que tu carregavas... Fome, doenças, dificuldades, tudo isso escrito em seu passado e ainda assim, ainda assim teima em não acreditar na dor. Quase me apaixonei quando disse isso, mas infelizmente, a dor existe até na negação da mesma.

Por favor, mais uma cerveja. Você bebe mais rápido que eu, estou ficando velho (mais uma constatação nessa mesa de bar). Te perdoo pelo atraso - você disse. Era o que eu dizia ao meu ex... Eu não te amo (pensei). Prefiro encerrar esse pensamento aqui à concluí-lo e ter mais uma triste constatação nesse bar.

Dá para parar de sorrir?!

Silêncio.

Celular!

Atualmente, sempre que não estou à vontade mexo em meu celular. Agora entendo o motivo pelo qual ele ficava tanto tempo no celular...

Desespero: sensação aterrorizante de que sairei do bar concluindo que não era amado e sem um novo amor.
Sinônimos: fudido, ferrado, detonado.

Mais uma cerveja!

Não há saída próxima, não há escapatória. Possuo um amor antigo em cada esquina dessa cidade, desse belo horizonte (sim, isso é uma referência à capital mineira e uma referência muito baranga, eu sei!). Possuo memórias espalhadas nas calçadas, botecos... Estou fudido!

Não te amo e sinto que você sou eu e eu sou ele. Entendo que ele-eu, não te amo. Isso resulta em não ser amado.

Desculpe por te usar. Nunca foi a intenção. - Ele também se desculpava com certa frequência.

Eu deveria escrever sobre você, mas você é tão eu nesse momento que quando vou falar de mim, falo dele.

Me desculpe. Ele também se desculpava com certa frequência.

Não fique triste. Ele também não me amava.

A conta, por favor! Essa noite já deu! Ou melhor, ninguém deu!

Sobre Rui, sobre mim, sobre Vani e sobre a porra da cueca jogada em cima do ventilador

Preguiiiiiiiçaaaaa de colocar a vida em ordem. Vontade infinita de ficar na cama com o mesmo lençol de semana passada coçando o saco por baixo da samba canção, bebendo só água. Gostava de café, mas ele me lembra você e você atualmente me da preguiça. Até parágrafos me dão preguiça. Não tenho preguiça de reticências (acho que fazem parte de mim)............................................. Tenho que desarrumar a mala, tenho que arrumar o guarda roupa, tenho que decorar um texto, tenho que formatar o computador para ver filme pornô, tenho que estudar, tenho que ver filme pornô quando digo que vou estudar, tenho que beber e quando estiver bêbado tenho que beber mais, tenho que manter a preguiça pois tudo que escrevi anteriormente da muito trabalho........................ Acho que tenho um certo amor por reticências, chega a ser tesão mesmo. Não sei terminar as coisas


17 de Junho

quarta-feira, 25 de junho de 2014

Alguns segundos de sexo, Caetano, solidões e pensamentos

Texto para ser lido pausadamente, ouvindo "The White Birch" 
https://www.youtube.com/watch?v=ZR8rCFHeU1A.




Sente a pulsão do meu corpo. Está ouvindo?

É Caetano:

"deixa eu dançar pro meu corpo ficar odara".

Sente minha respiração. Teu corpo me faz bem, mas não sinto nada. É como se 'ouve-se' um mundo separando você de mim (Isso é Ney). Sorrisos.

Ainda assim teu corpo me faz bem, tua pele, teu pelo.

Mas já não estou mais ao teu lado, ao menos não a alma. É estranho te ver gozar, te ver sem máscara, te ver humano e não compartilhar disso contigo.

Estou longe.

Acima de nossas cabeças, na cabeceira da cama há uma janela imensa e não consigo parar de olhar o céu, a vastidão da noite escura.

Tua língua. Saliva que gruda em meu pescoço, mas não arranca dali minha voz.

Meu peito, meu eixo, minha solidão.

Dói. Dói não estar ai. Vem comigo. Larga teu corpo, deixa teu sexo e olha as estrelas atrás da janela. Ouça!

Caetano se calou. Não há mais estranho amor.

Há uma melodia triste e calma.

Ouça...

Ouça minha fome de alma.

Não quero teus beijos, teus abraços. Não te quero humano, te quero arcanjo.

O teu corpo continua debatendo-se freneticamente. Isso diminui minha solidão, mas não preenche o meu vazio de estrelas.

Ouça...





26/06 - 00h52

Identificações matinais com a Vani

Sabe aquele dia que você acorda, meio louco, confuso, zoneando, enfim, acorda Vani? Então: 16 de junho.

E a gente se reconhece nas sensações. Todo mundo sente, mesmo aqueles que mentem sentem.

Chegar e berrar: doooiiii! Puta que pariu, doi! Cansei de brincar de respirar, de ser alegre, de cantar a musiquinha da moda; Assusta e como assusta.

Assustados, os fracos fogem, normalmente vestidos em ternos, jalecos, togas. Se refugiam em seus ambientes de trabalho e tapam os ouvidos para não ouvirem os gritos.

Afinal, sensação reverbera. Nunca sabemos o que a alma do outro, quando exposta crua e nua, gerará em nosso corpo.

Sobre meu coração

Me desculpe a elegância do inverno, mas prefiro a alegria do verão.

Saudades das camisetas, banhos gelados, dormir só com dois cobertores (sou friorento assumido), cerveja gelada, praia, alegria.

Saudades do verão em meu coração, pois há muito tempo que só existem duas estações, o outono e o inverno.

Já parou de nevar há algum tempo, então me mantenho na expectativa da primavera. Será que dessa vez vem?

15/06/2014

terça-feira, 24 de junho de 2014

Sobre minha mudança

O partir cria brilho nos olhos, de lágrimas e esperança.

Bem o dizem os marinheiros, os amores passageiros, as ciganas e as alegrias.

Parto novamente, deixando para trás raízes e sonhando com a próxima partida.

Coloco meus panos e joias, parto cigano, chegando e pensando em novamente partir. Volto à vida sem chão, à vida de despedidas.

13 de junho. Abandono o meu lar.

estrangeiro

Esse texto não foi publicado no facebook. Acabou de nascer, mas nasceu abortado. Não convive com os demais. Nasceu sem mundo, sem chão, sem lugar.

24/06 - 15:15


Sempre soube que chegaria o dia em que eu voltaria.

Quanta saudade. Meu peito está abraçado. Quanta ternura!

Ansioso em voltar, em ver de novo os meus. Em conhecê-los.


Desde criança sei que não sou dessa cidade. Os muros dela me sufocam.

Essas manias bestas de apertar as mãos diariamente, olhar nos olhos (ouvi falar que em alguns países olhar nos olhos é grosseria).

As pessoas aqui me parecem demasiado humanas.

Dançam por nada. Têm axé em seu corpo. Falam como que cantando.

Saudades da cidade em que deveria ter nascido. Saudade dos lugares onde não tratam a todos com esse carinho iludido.

Meu pai conta que quando nasci, não havia vida em mim. Não respirava. Tiveram que me reviver. Se não havia vida, o que reviveram?

Minha morte por natureza era meu manifesto. Sabia que não seria feliz.

E todo aquele leite que me enfiaram guela abaixo e todas aquelas roupas em que me vestiram e todo aquele carinho que me forçaram a receber?!

Não perceberam que desde sempre eu preferi o escuro do não à certeza da vida?!

Não tenho amor, não sou amor. Sou frio. Acredite em mim, é possível ser assim.

Nasci assassino, banhado em sangue. 

O sangue quente de minha vítima em meu corpo que jazia frio.

Onde pararam meus pedaços

Lonjuras:

Doença que atacou meu cérebro e meu coração. Há tempos não se vêem, não se ligam, não se correspondem.

Um se mantém ao norte, vendo de longe o desenrolar da vida do homem Saulo.

O outro está no meio da zona, entre copos usados, garrafas de cerveja pela metade, cuecas sujas, roupas largadas, música alta, lágrimas secas e um pulmao com tendências suicidas. Ele está exatamente no meio disso tudo, se perdendo com o menino Saulo.

Ainda 12 de Junho.

segunda-feira, 23 de junho de 2014

Das lágrimas do céu

Por que você não tira os óculos na chuva?

Porque agora eu sou chuva. Não consigo ver o que está diante de mim. Por dentro sou apenas temporal. Lágrimas em queda. É por isso. É por isso que tanta coisa...

12 Junho - Andar na chuva, correr em choro.

Pela janela da Afonso Pena

O ar pesa, o furdunço sonoro começa, gritos de raiva, buzinas de alegria(?), sussuros de vai seleção.

Medo e coragem juntos e misturados; Brothers, manos, unha e carne...

Vida que acontece lá fora e eu aqui, no trabalho, esperando a hora passar. Vendo a vida, miserável ou não, violenta (na alegria e na tristeza) acontecer.

12 Junho - Inicia-se a Copa.

Segundos de solidão

A mente entra na rotina, mas o corpo resisti.

Pequenos espamos seguidos de um grito mudo. Então, volto ao normal por algumas horas.

Coração enegrece e normaliza após instantes... A tristeza já se torna visita que chega, fala oi, abraça e se vai. Mas o vazio é aquele parente que veio e ficou sem data de me abandonar.

09 Junho

domingo, 22 de junho de 2014

Sobre a febre


Calor, sudorese, falta de ar, intensa certeza de que vai morrer. 

Espasmos e contrações involuntárias.

Aos poucos, sintoma por sintoma vai lhe abandonando e sobram pequenas alucinações que ocorrem espaçadamente.

Quando se vê... Bem... Já não se está mais doente. E dá uma tristeza amarga, suave... Uma certeza de que você passou.



- No dia 09 de junho a lembrança de ti tomou-me com uma força arrasadora.

Sobre meu choro

Chuva.

Sou todo vento, água, lágrimas.

Quando olho pra dentro de minhas janelas vejo apenas o tempo cinza.

Só me resta tomar um chá quente, me enrolar nas cobertas e sobreviver aos dias frios até que chegue o verão.


Passados aproximadamente 7 dias de minha última crise, ainda estava preso em meu mundo paralelo. - 09 de junho

Minha incapacidade de dizer adeus

Espera... Não... E... Se... Fica!

Por favor, fica! Vamos de novo continuar o que foi começado. Aliás, nunca começamos, sempre continuamos essa é minha impressão.

Não. Vai. Vai depressa! Some. Vai rápido antes que me arrependa e peça novamente para ficar.

Aliás, esquece tudo o que falei, abre esse vinho e vamos amar. É mais fácil.



Recaída unilateral. Esperança nascida e esmagada em algum momento do dia 07 de Junho.

sábado, 21 de junho de 2014

Sobre essa putaria danada

A gente faz ponto na vida. 

Troca tudo que tem por dinheiro.
Troca o tempo e alegria; Troca amor e família.

Faz ponto diariamente na esquina da mesa de trabalho;
No fast food, nas festas, na igreja.

Depois de vender o que tem de mais caro na vida em troca de status, dinheiro e outras coisas desse padrão, não satisfeitos, vendemos o outro em troca de esperança.

Não uma bela esperança, mas sim, uma esperança mesquinha. Uma esperança que acredita olhando para cima, nunca para frente.


4 de Junho - esquecido em prol do virtual.

Abstinência

Sintomas detectados:

1- Ligeira falta de ar;
2- Ânsia de vômito;
3- Coceira na parte superior do nariz e nas têmporas;
4- Angustia crescente;
5- Tremor nas pernas;
6- Vontade louca de correr e gritar.

Diagnóstico:

Saudades.

Publicado em 03 de Junho.
Quase todos os sintomas resolvidos. Tempo medicado de hora em hora. 
De acordo com Nana Caymmi, ele liberta e desperta.

Sete Saias


E ela me disse já com a voz modificada pelo vinho: nas suas mãos ainda passarão muitos.

Se aquiete coração, pois sofrimento será rotina. É a lei de reação, é Talião.

Sorriu, girou as saias e me presenteou com um anel. Cravado de pedras; negro ao centro.

Confuso, sem saber se chorava ou sorria corri desenfreado até perceber que corria de mim. 

Hoje, levo em meu dedo seu anel e no coração a amarga certeza de que ela leu meu futuro em meu jogo de tristezas.


Madrugada de 02 de Junho. Laroye!

sexta-feira, 20 de junho de 2014

A [falta de] beleza da dor


É preciso estomago. É preciso entranhas revestidas de aço para se conseguir ver a dor alheia.

Não há nada de belo em lágrimas, olhos vermelhos, soluços.

Beleza é sofrer junto, mas aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaah... Quem gosta de sofrer, ainda mais por uma dor que não é sua??

Quando nasci, vesti a armadura de Ogum e me abri pro mundo com coragem. Coragem de amor. Coragem de ver mágoas, lágrimas e passados.

Meu estômago é de uma resistência tal que consigo olhar pelo retrovisor e ao mesmo tempo vislumbrar o longinquo destino desse caminho.

Eu consigo, de maneira estranha, me apaixonar por essa tal tristeza, mesmo não vendo beleza na mesma. Não por qualquer tristeza. A minha, por exemplo, me assusta... Mas a tua; a tua me tira o folego!


Texto expurgado em 31 de maio.
Escrito em urgência. Palavras-lágrimas. Não sabia mais qual era qual. Coexistiam no mesmo espaço. Negaram a física. 

Relatos pós descontrole

Postado dia 27 de maio após a perda, em meio ao meu turbilhão. Já não havia como falar, pois as palavras se confundiam aos soluços. Rascunhei.


Lagrimas, angustia, grito, descontrole, falta de ar. 
Quanta falta de ar. O ar me foge do pulmão da mesma forma que a saliva que já não encontro em minha boca.

Vontade incontrolável de, de, de, de nada. Na verdade não ha vontade.

Na verdade após o rompante louco de sentimentos me sobrou um vazio. Um vazio enorme desses que nos engolem. Um vazio apavorante, que vive ao lado do desinteresse.

O desinteresse é desesperador, ele vegeta.

"Qualquer coisa que se sinta, tem tanto sentimento deve ter algum que sirva." Agora eu entendo o que você quis dizer Arnaldo.

Sinto-me crucificado (mas não pelo povo). A minha direita, o desastre familiar; a minha esquerda, minha vida amorosa. Acima da cruz, meus sonhos e abaixo, abaixo estão aqueles que possuem interesse pela vida.

Eu, imóvel.

Tenho apenas uma fé: o samba. Dizem que ele cura a dor que existe.

quinta-feira, 19 de junho de 2014

Sobre postagens, redes, sobre minha dor, diários e você(s)

Me propus a dissertar sobre minha dor no facebook. Sou um homem de dores, até minhas alegrias são dependentes da dor. Para que existam é necessário que eu esteja em um período "não doloroso", o que quase nunca ocorre, convenhamos.

A única regra do jogo era que escrevesse no fluxo do pensamento e postasse em seguida, sem alterar.

Se passaram meses. Decidi fazer o blog para armazenar o que acho pouco ruim. Abaixo, como tudo começou. Uma bobagem:

24 ABRIL

Dor: vontade de sair furiosamente do corpo se transformar em lágrimas tempestade e depois arrastar-se de volta à carne e dormir o sono calmo e quente dos infelizes.

27 ABRIL

Repetir todos os dias, 7 vezes ao dia. 4x pela manhã, 2x a tarde e 1x a noite (inverter a ordem nos fins de semanas e feriados, além do período de férias):

Eu não sou especial. Não tem nada que eu faço que não possa ser feito por outra pessoa. Eu sou apenas apenas mais um rapaz latino americano sem dinheiro no bolso.


Dessa forma humilde, iniciei meu jogo, meu vômito, minha terapia. Algumas linhas, uma ou duas vezes na semana, mas isso foi crescendo, crescendo, me absorvendo...