segunda-feira, 30 de junho de 2014

Querido amigo

Carta escrita a um amigo que reapareceu em 18 de junho.

Querido amigo, tenho tanta coisa pra falar que na pressa a língua embola na boca e os dedos tropeçam no teclado. Fico assim, com aquela cara de bobo, que você já não lembra, não é mesmo?

Não importa! Ainda me lembro de algumas coisas, como daquele abraço, daquele táxi, do dia em que te conheci e inventei mais uma paixão, daquele sanduíche na pça da PUC, do seu abdômen, da nossa cumplicidade e dasrisadas, das segundas e quartas entre às 18h e 22h, de sua festa de despedida que não fui por covardia (não podia acreditar que estava partindo) e do nosso abraço de despedida que não existiu (e não aceito que um dia possa existir).

Na verdade não sei se lembro disso tudo e se essas coisas realmente aconteceram, sei que você existiu, sei que você se foi, sei que se passaram muitos, muitos anos e sei que nos falamos hoje novamente.

Intimidade inexistente na conversa, mas presente. Nós a exigimos, afinal éramos grandes amigos, ou não somos? Você se foi. Eu fiquei. Alguns países, alguns mapas e fuso-horários nos separaram. Mas hoje, hoje nos falamos.

Nossa conversa foi meio, "nossa! Você ainda lembra o meu nome?!"
- Sim! Fomos importantes, ou não somos? Nossa que alívio saber que você está vivo. Que alívio saber que você existiu mesmo, que não foi fantasia, na verdade você é minha fantasia, desde adolescente, mas isso não vem ao caso, pois você está careca de saber disso, aliás, seu cabelo cresceu!

Como está belo! Como está diferente! Nem parece aquele meu amigo que conheci há uns 10 anos atrás e que faz uns 7, 8 anos que não via (não vejo). Não que você não fosse belo, mas é que, me desculpe, você não parece com aquele meu amigo.

Tanto faz, te amo. É estranho, mas sinto que te traio dizendo isso, ou melhor o traio, não a você, mas ao meu amigo. Entende? Você não pode ser ele. Por favor, o devolva igualzim você era quando foi, igualzim você era quando ainda o amava. Eu te amo, é difícil assumir.

Mas sim, você não perguntou, mas sim! Eu estou bem. Estou bem melhor agora, alias, sabendo que você existe, mas sem ter certeza que existiu. Bom tenho que ir. Foi bom falar com você. Foi bom te ver! Na verdade, foi bom trocar algumas frases com você pelo chat do facebook. Enfim, não importa, eu te amo. Espero que esteja feliz. Espero que sua esposa esteja feliz. Espero que ainda existamos.

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