segunda-feira, 20 de abril de 2015

Das conversas, descobertas e da necessidade de compartilhar o interno com o mundo

Finquei o pé aonde não possuo memórias. Sou navegante eterno, viajante, estranho. Erro em tentativas vãs de adaptar-me sem máscaras.
Escancarar o que é interno na esperança de ter algo real para reconhecer neste lugar.
Entranhas pra fora. Língua perdida.
Solto as frases em tom enganado. Queria amor, projeto distância.
Porto em sorrisos contados. Vou em botes. Tento salvar-me.
Crucifixo
em mão, pedindo mudo
exercícios repetitivos de fortalecimento muscular.
Fadiga.
Descanso e crescimento.
Alimento?
Deglutir, mastigar, caetanizar, auto-defesa.
Mecanismos protecionistas.
O início da viagem: alimento.
Morder a língua.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Despedida

Repiques, tamborins, surdos.

Surdo.

Surdo para ausência que se instala sorrateira no peito.
No meio do bloco, pulando bêbado, beijado e invadido, esqueço que chega o momento de despedir.
Na cama sorrisos e olhares que se cruzam como flechas de dor.
Uma voz que balbucia tremula, "não vá".

Na rua: purpurina, axé do tchanzinho, jazz da magnólia,
O sorriso que retornou da Bolívia, do Chile, do Peru.
Retorna e faz meu peito querer ficar.
Mata-me de medo da solidão!

Surdo para tudo isso, mas atento ao desprezo.
Entre paredes familiares, ouço um cala-te!
Ouço a incompreensão dos que deveriam acima de tudo entender.
Ouço, mas grito e calo futuras conversas.

Quarta ou quinta feira de cinzas, toda a cor do carnaval se foi.
Toda a incerteza da despedida se aproxima.
Toda a saudade de quem ainda está.
Fome. Fome de tudo. Fome de medo e prazer.

Em 2 dias e dois quartos me vou embora e deixo para trás aqueles que me fizeram esse Saulo.
Levo apenas o que transforma e que tenho a certeza que jamais trarei de volta.
Velórios de despedida, que se façam aos montes, pois ainda não tenho certeza se devo festejar.
Um último samba, um último beijo, um último grito de carnaval: adeus!

quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

Des mots insensés

Ele girava a cadeira, sem muita força, sem animo, em ritmo contínuo...

Il faut oublier
Tout peut s'oublier
Qui s'enfuit deja
Oublier le temps

Um quarto estranho, borboletas mortas guardadas em potes de vidro, elefantes de pano, budas...

Em algum momento, janela, matas, chuva.

Et le temps perdu
A savoir comment
Oublier ces heures
Qui tauient parfois
A coups de pourquoi
Le coeur du bonheur

Um corpo roncando em cima da beliche.

Seu corpo girando, ansioso, medroso, pressentindo a possibilidade de nada mais

Ne me quitte pas
Je t'inventerai
Des mots insensés

Dedilha palavras jogadas e espera. Quem sabe essas borboletas não acordem e saiam voando dentro de alguns dias, dentro de uma semana...?