segunda-feira, 21 de março de 2022

Pequenas palavras

Eu queria palavras mais doces para emoldurar meu peito. 

Rangido, trovão, betume, gambá, taquicardia. 

Gostaria de amarra-las em um saco de linho e deixar à beira-mar. 

Lá onde os pés são banhados pelo sal e as lágrimas correm sem barreiras. 

Queria palavras amêndoa, grama, elefante, adjetivos amarelos,  verbos de chocolate preenchendo meu corpo.

Faltam-lhe palavras em que caibam ar.

Resta-lhe asfixia.

domingo, 15 de abril de 2018

Para falar a um amor

A língua, às vezes, faz silêncio.
É difícil responder à morte.
Falta e sobra.
Carrego no bolso restos de palavras.
Falta.
Sobra.
É difícil lidar com palavras.
Nunca saberei se o que tenho comigo são buracos ou sobras.
É difícil lidar com a vida.

segunda-feira, 20 de abril de 2015

Das conversas, descobertas e da necessidade de compartilhar o interno com o mundo

Finquei o pé aonde não possuo memórias. Sou navegante eterno, viajante, estranho. Erro em tentativas vãs de adaptar-me sem máscaras.
Escancarar o que é interno na esperança de ter algo real para reconhecer neste lugar.
Entranhas pra fora. Língua perdida.
Solto as frases em tom enganado. Queria amor, projeto distância.
Porto em sorrisos contados. Vou em botes. Tento salvar-me.
Crucifixo
em mão, pedindo mudo
exercícios repetitivos de fortalecimento muscular.
Fadiga.
Descanso e crescimento.
Alimento?
Deglutir, mastigar, caetanizar, auto-defesa.
Mecanismos protecionistas.
O início da viagem: alimento.
Morder a língua.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Despedida

Repiques, tamborins, surdos.

Surdo.

Surdo para ausência que se instala sorrateira no peito.
No meio do bloco, pulando bêbado, beijado e invadido, esqueço que chega o momento de despedir.
Na cama sorrisos e olhares que se cruzam como flechas de dor.
Uma voz que balbucia tremula, "não vá".

Na rua: purpurina, axé do tchanzinho, jazz da magnólia,
O sorriso que retornou da Bolívia, do Chile, do Peru.
Retorna e faz meu peito querer ficar.
Mata-me de medo da solidão!

Surdo para tudo isso, mas atento ao desprezo.
Entre paredes familiares, ouço um cala-te!
Ouço a incompreensão dos que deveriam acima de tudo entender.
Ouço, mas grito e calo futuras conversas.

Quarta ou quinta feira de cinzas, toda a cor do carnaval se foi.
Toda a incerteza da despedida se aproxima.
Toda a saudade de quem ainda está.
Fome. Fome de tudo. Fome de medo e prazer.

Em 2 dias e dois quartos me vou embora e deixo para trás aqueles que me fizeram esse Saulo.
Levo apenas o que transforma e que tenho a certeza que jamais trarei de volta.
Velórios de despedida, que se façam aos montes, pois ainda não tenho certeza se devo festejar.
Um último samba, um último beijo, um último grito de carnaval: adeus!

quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

Des mots insensés

Ele girava a cadeira, sem muita força, sem animo, em ritmo contínuo...

Il faut oublier
Tout peut s'oublier
Qui s'enfuit deja
Oublier le temps

Um quarto estranho, borboletas mortas guardadas em potes de vidro, elefantes de pano, budas...

Em algum momento, janela, matas, chuva.

Et le temps perdu
A savoir comment
Oublier ces heures
Qui tauient parfois
A coups de pourquoi
Le coeur du bonheur

Um corpo roncando em cima da beliche.

Seu corpo girando, ansioso, medroso, pressentindo a possibilidade de nada mais

Ne me quitte pas
Je t'inventerai
Des mots insensés

Dedilha palavras jogadas e espera. Quem sabe essas borboletas não acordem e saiam voando dentro de alguns dias, dentro de uma semana...?

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

Remédio para insônia

Suor
Tuas coxas
Teu ar
Suspiro
Grito
Saliva
Gozo misturado no rosto
Respiro
Sorrio
Acordo
Insônia
Você em meus olhos
Sem lua
Sem estrela
Distância
A dureza da realidade

terça-feira, 25 de novembro de 2014

Sobre juízo

Abra o teu livro de preces e me julgue
Corte meu corpo-sonho com teu pudor e guarde o sangue que jorrará para mostrar aos meus/teus filhos toda a tua moral e a minha falta de
Seja bom, mas me negue um sorriso acolhedor
Seja belo, mas negue o amor
Seja honesto, mas apenas consigo
Saias, ternos, camisas, me ranque, me desnude
Veja minha pele, perceba a tua
És a mesma coisa que eu
Ma(i)s mente.

domingo, 16 de novembro de 2014

Por favor, me abrace antes que nos esqueçamos como se faz

Sim. Eu sei. Eu sei que não nos conhecemos bem.

Mas é que... Mas é que eu me sinto assim, sozinho e você... Você apareceu um dia desses e me abraçou. Ok, foi eu quem lhe abracei, mas foi tão seguro, sabe?
Será egoísmo?

Sim não precisa repetir que não nos conhecemos bem e que você acabou de sair de um relacionamento. Malditos sejam os relacionamentos de antiquário.
Eu queria lhe pedir pra largar tudo agora e vir me abraçar. Sei que nos vimos apenas uma vez, sei que isso faz algumas semanas, sei que eu estou fragilizado, mas caralho, como as pessoas fazem quando estão assim?

Não! Não quero falar com ninguém pela webcam e nem mandar mensagem de voz desabafando pelo celular, nem ao menos quero falar pelo celular. Não quero mais ter facebook, sim eu perdi propositalmente meu celular, tento me enganar dizendo que não, mas sim, eu o esqueci semi-conscientemente no banco do ônibus.

Eu queria saber como as outras pessoas fazem para se sentirem menos sozinhas. Quero saber como as mulheres fazem na TPM, como os idosos fazem quando são abandonados pelos filhos em asilos, quero entender as crianças de rua quando se tornam invisíveis, quero aprender com eles e fugir do virtual.

Por favor, não me julgue errado. Quero lhe pedir um abraço. Eu realmente preciso de um pouco de pele me tocando agora, sentir a respiração de outro ser, fazer um café junto contigo e sentir o sabor compartilhando isso. Quero sentir que ainda consigo me comunicar de verdade.

Eu sei que você está ocupado. Eu sei que não é má vontade. Não, não precisa me mandar uma foto, eu queria apenas um abraço. Eu queria apenas parar de escrever essas coisas e olhar em seus olhos ou em qualquer outros.

sábado, 15 de novembro de 2014

Fuga

Alguém segure as minhas lágrimas, pois nos últimos dias elas resolveram fugir.
Correm pelas avenidas afora, gritam vaidosas por liberdade e deixam em soluços a nascente.
Algumas, mais comunitárias, se encontram com lágrimas vindas de outras avenidas e partilham suas histórias;
Outras, mais solitárias, secam nas ruas deixando na curva dos lábios o sal dos olhares.
Alguém, por favor, segure minhas lágrimas ou feche a porteira de minha'lma que teima em deixar-me correnteza.

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Das minhas raízes

Ranquei todas as minhas raízes e sai pro mundo. Voei para entender que sou árvore.

Voei para entender que tenho mais família do que imaginei e que sou muito mais gente do que supus.

Seja em queda ou pelo ar, me potencializo. Me grito, viro voz e falo obrigado.

Obrigado por ser apenas e só.

Sou árvore. Cigana, mas árvore. Meu lugar é em meio a bahias, florestas e serras.

terça-feira, 28 de outubro de 2014

Proximidade da partida (quando o aqui vai se tornando longe)

Meu rosto, já sertão, não vê chuva há muito tempo,
Minh'alma Pedro, pescadora, São, já não abre as torneiras.

Secaram as nuvens.

Nas rachaduras da terra, mapas.
Fiz caminhos de santo e de pajés e terminei em horizontes.

Horizonte de morros talvez não tão belos, mas de raízes.

Novamente esquina, novamente Madalena coração aberto.
Mais cervejas, outros livros que não preciso, Maleta.

Moro na Serra e vivo em belos horizontes
Descobri que sou daqui quando estou estou a sair.

Adeus, au revoir, sorriso safado de quem compreendeu.

domingo, 20 de julho de 2014

Repetindo algumas sensações

Gostaria de arrancar essa saudade com as mãos.
Trataria do buraco sangrento em meu peito com sal.
Sangue e sal cicatrizariam esse buraco que me engole.
Se meu coração é só saudade, de que me vale?
Saudade se sente por algo que não se tem, se meu coração é saudade,
O que tenho além de dor?
Venho tentando esquecer. Às vezes penso que consegui
Mas então, a outra boca tem o gosto da sua,
O sal dos corpos me lembram o seu.
Percebo no fim, que o sal não cicatriza a ferida
Já tentei com lágrimas e suor
Mas o buraco por onde saiu meu coração, continua
A saudade que deveria ter saído com ele, continua
A lembrança exagerada continua
Tudo continua, menos a gente
Essa é a verdade, nua, dolorosa

quinta-feira, 10 de julho de 2014

Conversas com um amigo - 10/07

- Você sabe algum vemédio para saudade?
Digo vemédio, pois fico em dúvida se para saudade devemos aplicar veneno ou remédio...
Você sabe algum? Conhece? Me diz por favor, pois viver disso é morrer.

- Vemédio, eu não sei...
Remédio só presença;
Veneno só esquecimento.

- E quando se equilibra no muro existente entre os dois, mas não se pode cair na presença e nem pular no esquecimento?!
O que você faz?!

- A gente persiste no muro por um tempo.
Chega uma hora que tem que escolher um lado.
É inevitável!

- Vou continuar evitando...
Se eu precisar chorar me acompanha em um vinho?!

- Claro!


Alguns amigos deveriam se chamar anjos ou irmãos. Como não se chamam, chamamos-lhes de sorrisos...

Resumo do ciclo terminal

O tempo, o silêncio, a não presença tornam-se névoa e atrás dessa jaz turva a sua imagem.

A saudade se torna vapor, vai-se voando tranquila, não se deixa agarrar.

O corpo, ainda encharcado, tenta de algum modo recuperar-se dos dilúvios sofridos, para enfim, novamente germinar amor.

segunda-feira, 7 de julho de 2014

Novena de morte ou A mulher que colecionava calendários

E ela contava os dias como quem manuseia as contas de um rosário.

Um a um,  balbuciando sempre palavras inaudíveis, ensaiando alguns sorrisos e lágrimas, ela os contava.

Guardava-os em caixas empoeiradas espalhadas pela casa.

Os dias mais amorosos e quentes, ela guardava com carinho. Enchia-os de anotações feitas com canetas coloridas e normalmente iniciava seus escritos assim: Querido diário...

As caixas de amores, organizadas por semestres (ela não conseguiu permanecer em terra por muito tempo, pois era como se perdesse o tempo... Tola criança...) eram peculiares. As primeiras, volumosas, abarrotadas de papéis, agendas, diários, guardanapos, a última jazia vazia, fechada e em sua tampa, a palavra esperança quase apagada, na verdade, apenas um borrão.

Houve também dias sombrios, muitos aliás. Não se pode esperar outra coisa de alguém que viveu só. Esses dias, foram depositados com um carinho imenso debaixo do seu chuveiro, na esperança de que a chuva lavasse as trevas que existiam ali. Que a água, preenchesse o vazio cinzento daquelas das manhãs em que não levantava para sorrir.

Havia calendários por todas as paredes, menos na cozinha. Ela considerava a cozinha um espaço fora do real, onde não havia tempo. E ali, a beira do fogão ela passou a maior parte dos dias, escondendo-se do tempo, ou descansando do mesmo, mas ainda assim carregava o rosário em seu bolso. Ela entendia-se antagônica.

Uma caixa ou rascunho para cada dia... Ela controlou assim sua vida. Havia decorado todos os seus dias, seu pormenores, se conhecia como ninguém, se conhecia tanto, que entendeu quando chegou em sua última conta. Houve tempo apenas de dizer: agora e na hora de nossa morte...

Ela colecionou, contou todos os dias, na ansiedade de que chegasse o momento de dizer: E para todo o sempre, e por todos séculos e séculos, amém!

domingo, 6 de julho de 2014

Se até no título há saudade, se até no título há você, o que mais posso dizer?

Por que existe a saudade?
Você me disse, quando nos conhecemos, algo sobre instinto.
Algo sobre sermos instinto.
Mas a saudade se encaixa nisso como?


Eu lhe disse, quando nos conhecemos, algo sobre vazios.
Você seria apenas o preenchimento desse meu vazio.
Ao sair, deveria voltar tudo a ser como antes.
Mas esse abismo, vem de onde?

A saudade deve ser do tamanho da desimportância que represento para ti.
Saudade é beijo não mais trocado, sorriso que agora precisa de motivo.
Saudade é texto ruim. 
Esse texto é pura saudade. 

Saudade é querer escrever sobre o mundo e em cada palavra do universo estar grafado seu nome, mesmo que não se veja isso no verso (só eu sei).

quarta-feira, 2 de julho de 2014

Trecho de um conto inexistente: cozinha, café, amor e sorrisos

Tanto sofreu por uma memória que não mais sabia estar.

O presente se tornou confuso, era como se ele acontecesse ao mesmo tempo que o passado e os sonhos.

Tanto sofreu por uma memória, que se perdeu. Perdeu o sorriso em algum quarto dos fundos, talvez ao lado da cozinha, onde deixou seus pés.

A cozinha era, talvez (sempre talvez, a confusão estava tão estabelecida que era impossível ter certezas), o lugar mais difícil para ele. Ela possuía um cheiro agradável de café recém passado e incenso de alecrim, que eles acendiam enquanto preparavam o desanuyo.

Os seus pés, ficaram ali plantados, em contato com o chão de suas lembranças. Cozinha, amor, café e sorrisos. Me expliquem, aqueles que criticam os que vivem em passados, o que pode existir de mais acolhedor que esse conjunto de amores: cozinha, café e sorrisos (mesmo que forçados)?

O resto do corpo foi se perdendo pelos cantos. A mão ficou na janela, onde por tantas noites apontou a lua. Gostaria que um dia apontassem a lua para mim. Apontaram as estrelas, mas nunca a lua. Será que hoje elá está bonita?

Uma mão que aponta a lua nos dá pistas de como anda o coração. No caso dele, já não anda, andou tudo o que pode, rasgou-se quando não mais o deixaram caminhar. No rasgo cresceu uma planta escura, que lembra uma trepadeira e foi prendendo-o, amarrando-o ao tórax, que apodrecia na cama, junto à cabeça que ficou ali, colada no travesseiro, apenas sentido o cheiro que há muito havia passado.

O coração apertado fazia com que ele sentisse espasmos espaçados e lágrimas sem gosto (todo o sal do rosto já havia sido limpo pelas precedentes). Mas não havia muita saída, os seus pés estavam longe, em terra, as suas mãos estavam distantes, apontando o céu e nem mais o sorriso ele possuía para oferecer à alguém como pagamento por uma ajuda.

Tanto sofreu por uma memória, que aprendeu a estar em desvida e não se tornou memória de ninguém, apenas de si mesmo.

segunda-feira, 30 de junho de 2014

O entregador de leite

Virei o trinco e empreguei um pouco a mais de força. Pronto, o sol já alcançava a sala que a muito vivia em breu.

O cheiro insuportável do cigarro, que não gosto mas que se tornou minha única companhia nos últimos dois anos, começou a se dissipar.

Sinto falta do sertão. Tenho chovido muito nos últimos anos. Alaguei-me na verdade. Tenho saudades da sede, da grande amargura, da eterna necessidade.

Em algumas horas ele chega. Não sei como é o seu rosto. Lembro-me vagamente de sua voz. Era um pouco rouca, mas com um fundo rosado, não sei como descrever, mas lembro-me bem.

Ele traz o leite todas as manhãs. Hoje, bem, não sei por qual motivo, hoje resolvi ser sociável. Vesti minha roupa menos amarrotada, não posso dizer que estava limpa, mas a vesti.

Ele disse que chegaria às 10h em ponto, mas já são 10h07. Na verdade ele não disse isso. Eu apenas supus, pois esse é o horário que ele chega todas as manhãs.

10h08.

10h09.

Desisto. Ele não vem. Tiro a roupa, jogo-a sem esperanças sobre um dos montes de coisas para lavar. Tomo um gole de café velho e abro uma cerveja.

11h00. Lembro-me que nunca comprei leite.

Querido amigo

Carta escrita a um amigo que reapareceu em 18 de junho.

Querido amigo, tenho tanta coisa pra falar que na pressa a língua embola na boca e os dedos tropeçam no teclado. Fico assim, com aquela cara de bobo, que você já não lembra, não é mesmo?

Não importa! Ainda me lembro de algumas coisas, como daquele abraço, daquele táxi, do dia em que te conheci e inventei mais uma paixão, daquele sanduíche na pça da PUC, do seu abdômen, da nossa cumplicidade e dasrisadas, das segundas e quartas entre às 18h e 22h, de sua festa de despedida que não fui por covardia (não podia acreditar que estava partindo) e do nosso abraço de despedida que não existiu (e não aceito que um dia possa existir).

Na verdade não sei se lembro disso tudo e se essas coisas realmente aconteceram, sei que você existiu, sei que você se foi, sei que se passaram muitos, muitos anos e sei que nos falamos hoje novamente.

Intimidade inexistente na conversa, mas presente. Nós a exigimos, afinal éramos grandes amigos, ou não somos? Você se foi. Eu fiquei. Alguns países, alguns mapas e fuso-horários nos separaram. Mas hoje, hoje nos falamos.

Nossa conversa foi meio, "nossa! Você ainda lembra o meu nome?!"
- Sim! Fomos importantes, ou não somos? Nossa que alívio saber que você está vivo. Que alívio saber que você existiu mesmo, que não foi fantasia, na verdade você é minha fantasia, desde adolescente, mas isso não vem ao caso, pois você está careca de saber disso, aliás, seu cabelo cresceu!

Como está belo! Como está diferente! Nem parece aquele meu amigo que conheci há uns 10 anos atrás e que faz uns 7, 8 anos que não via (não vejo). Não que você não fosse belo, mas é que, me desculpe, você não parece com aquele meu amigo.

Tanto faz, te amo. É estranho, mas sinto que te traio dizendo isso, ou melhor o traio, não a você, mas ao meu amigo. Entende? Você não pode ser ele. Por favor, o devolva igualzim você era quando foi, igualzim você era quando ainda o amava. Eu te amo, é difícil assumir.

Mas sim, você não perguntou, mas sim! Eu estou bem. Estou bem melhor agora, alias, sabendo que você existe, mas sem ter certeza que existiu. Bom tenho que ir. Foi bom falar com você. Foi bom te ver! Na verdade, foi bom trocar algumas frases com você pelo chat do facebook. Enfim, não importa, eu te amo. Espero que esteja feliz. Espero que sua esposa esteja feliz. Espero que ainda existamos.

Retalhos costurados em balão

O som do elevador causava-me estranha esperança. 
Não sei por qual motivo, pois ele nunca havia me visitado nesse prédio, pois ele nunca havia me visitado. Mas esperança é assim, não tem motivo nem juizo.

Ele se multiplica em vários passados e se transforma em mim.
Todos os vazios somados, articulados, temperados com calmantes e curtidos em cachaça, viram um grande cheio.

Sigo então em Junho, balão de São João, gigante de vazios com calor no centro que me leva a voar esperando queimar, virar cinzas e adubar.



Saudades surgidas em 18 de Junho