Postado dia 27 de maio após a perda, em meio ao meu turbilhão. Já não havia como falar, pois as palavras se confundiam aos soluços. Rascunhei.
Lagrimas, angustia, grito, descontrole, falta de ar.
Quanta falta de ar. O ar me foge do pulmão da mesma forma que a saliva que já não encontro em minha boca.
Vontade incontrolável de, de, de, de nada. Na verdade não ha vontade.
Na verdade após o rompante louco de sentimentos me sobrou um vazio. Um vazio enorme desses que nos engolem. Um vazio apavorante, que vive ao lado do desinteresse.
O desinteresse é desesperador, ele vegeta.
"Qualquer coisa que se sinta, tem tanto sentimento deve ter algum que sirva." Agora eu entendo o que você quis dizer Arnaldo.
Sinto-me crucificado (mas não pelo povo). A minha direita, o desastre familiar; a minha esquerda, minha vida amorosa. Acima da cruz, meus sonhos e abaixo, abaixo estão aqueles que possuem interesse pela vida.
Eu, imóvel.
Tenho apenas uma fé: o samba. Dizem que ele cura a dor que existe.
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